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Aos 82 anos, morre o diretor, ator e apresentador Antônio Abujamra

Provocador, frasista memorável e crítico dos descaminhos do Brasil, o diretor e ator Antônio Abujamra morreu nesta terça-feira (28/4), aos 82 anos, em sua casa em São Paulo, em decorrência de um infarto. Nascido em Ourinhos, no interior de São Paulo, Abu – como era chamado – fez história no teatro e trabalhou também no cinema e na televisão. Atuou em novelas e, desde 2000, apresentava o programa de entrevistas Provocações, na TV Cultura. O velório de Antônio Abujamra acontece nesta terça-feira, a partir das 17h, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. O corpo será cremado nesta quarta-feira, no Crematório Vila Alpina, na Zona Leste da cidade.

Com uma trajetória marcada pela influência de Bertolt Brecht e do discípulo do mestre alemão, Roger Planchon, a quem conheceu pessoalmente, Abujamra integrou a geração de grandes diretores brasileiros que ascendeu durante a resistência à ditadura militar, como Antunes Filho, Zé Celso Martinez Corrêa e Flávio Rangel. Dirigiu Cacilda Becker, Lilian Lemmertz, Glauce Rocha e Irene Ravache, entre outros.

Tendo cursado filosofia e jornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, começou a carreira nos palcos no Teatro Universitário, na segunda metade da década de 1950. Aperfeiçoou-se na Europa, passando por Espanha, França e Alemanha, onde esteve no prestigiado Berliner Ensemble, companhia criada por Brecht. A estreia profissional foi em 1961, em São Paulo, ano em que dirigiu Raízes, de Arnold Wesker, com Cacilda Becker.

Ainda na década de 1960, notabilizou-se com o Grupo Decisão, também baseado nos ensinamentos brechtianos, com o qual encenou o sucesso O Inoportuno, de Harold Pinter, em 1964, e Electra, de Sófocles, no ano seguinte. Nos anos 1980, envolveu-se com o histórico Teatro Brasileiro de Comédia e, na década seguinte, criou o grupo Os Fodidos Privilegiados, no qual foi substituído, posteriormente, pelo diretor João Fonseca.

Retomou a carreira de ator  aos 55 anos, recebendo elogios pelo monólogo O Contrabaixo (1987), de Patrick Süskind, entre outros trabalhos. Na televisão, é lembrado pelo papel do bruxo Ravengar, da novela Que Rei Sou Eu? (1989), da Rede Globo.

Estabelecendo-se como apresentador do programa Provocações, Abujamra não gostava de estar na posição de entrevistado, tendo erguido em torno de si uma fama de mal-humorado. Mas era um verdadeiro criador de máximas. Ao Estado de S. Paulo, em 2012, declarou: “Para um artista, o fracasso e o sucesso são iguais. Os dois são impostores”. Sobre a geração que sucedeu a sua, foi categórico: “A juventude tem de ter mais coragem em relação a nós, porque, se nos respeitarem muito, vou desprezá-los”.

Zero Hora

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