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Dia do Frevo: festa até a Quarta de Cinzas

“Pernambuco tem uma dança que nenhuma terra tem: quando a gente entra na dança, não se lembra de ninguém”. Entre mais de 200 composições do saudoso Capiba, esse trecho está entre os mais lembrados. Poderia ser a introdução de uma charada, cuja resposta óbvia seria o frevo. E é. Mas é também memória coletiva e patrimônio afetivo-cultural dos pernambucanos, assim como o ritmo que soma mais de um século. O Dia do Frevo, festejado hoje, data dos 108 anos do ritmo, é somente o primeiro de uma sequência de comemorações. O homenageado é um caso de amor antigo, de outros carnavais.

Nascido da capoeira exibida à frente de antigas bandas carnavalescas, no início do século 20, o frevo é uma adaptação dos passos da luta ao compasso das marchinhas. Suas raízes, aliás, apontam para ainda mais longe: segundo publicação do historiador pernambucano Leonardo Dantas Silva em Suplemento Cultural de 1997, o frevo deriva do repertório das bandas militares e civis da segunda metade do século 19. O maxixe, o tango brasileiro, a quadrilha, o dobrado e a polca-marcha teriam se fundido para chegar a esse resultado rítmico e coreográfico. Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil e Patrimônio Cultural da Humanidade, o frevo é “dress code” dos foliões pernambucanos: sem “vesti-lo”, não há como brincar carnaval.

Para celebrar mais um 9 de fevereiro, a poucos dias da abertura oficial do carnaval de Olinda e do Recife, agremiações carnavalescas e o Paço do Frevo, inaugurado há um ano no centro da capital pernambucana, organiza programação especial. Enquanto isso, 300 passistas se reúnem hoje à tarde no pátio do Mosteiro de São Bento, em Olinda, a fim de conseguir o recorde de Maior Dança de Frevo do Mundo no Guinness book. E, para quem não é “ruim da cabeça” nem “doente do pé”, o Viver preparou um roteiro com atividades imperdíveis para comemorar a data durante a semana pré-carnavalesca. Da sexta-feira em diante, não há regra e qualquer destino é certo. Até a Quarta-feira de Cinzas, são 10 dias para se deixar levar pelas contagiantes e aceleradas batidas do ritmo centenário.

>> PROGRAMAÇÃO

HOJE
Acorda Povo em Olinda
Os Clarins de Momo, as orquestras Vila Lobos, Maraca Frevo e Grêmio Dias e 30 passistas saem do Alto da Sé e fazem um “acorda povo” por Olinda.

Alvorada do Frevo
Às 6h30, Clarins de Momo de Pernambuco, Orquestra de Frevo e Banda do Rubinho, Balé Brincantes de Pernambuco, porta-estandartes campeões do concurso em 2014 e o bloco O Bonde fazem a festa na Praça do Arsenal.

Café com Frevo
Na Casa da Cultura, às 8h, a Orquestra Frevo Mulher e a Orquestra Arrecife Frevo comandam o café com frevo.

Maior Dança de Frevo do Mundo
Às 15h, no pátio do Mosteiro de São Bento (Olinda), 300 passistas tentam o recorde no Guiness book como maior dança de frevo do mundo. Depois, desfile rumo ao Grêmio Musical Henrique Dias.

Arrastão do Frevo
Com saída da Praça Maciel Pinheiro às 15h, Clarins, Orquestra Popular do Recife, Clube Carnavalesco Misto Bola de Ouro, Cachorro do Homem Miúdo e Clube de Boneco Seu Malaquias organizam arrastão pelo centro da cidade.

Orquestras itinerantes
Às 16h, cinco polos do Recife se tornam cenário da concentração de orquestras itinerantes e passistas de frevo, organizados pelo Paço do Frevo: Praça da Independência, Pátio de São Pedro, Praça Maciel Pinheiro, Praça Joaquim Nabuco e Paço do Frevo.

Cortejo de agremiações
Às 17h30, o cortejo das agremiações campeãs desfilam da Rua da Moeda ao Paço do Frevo.

AMANHÃ

Encontro de orquestras
Na Praça do Arsenal, se apresentam, a partir das 16h, Orquestra Canção do Frevo, Cia de Dança Movimento Cultural, Orquestra Capiba e Cia Cultural da Bomba do Hemetério. Às 23h, Ensaio do Orquestrão que encerrará o carnaval do Recife, na Terça-feira Gorda.

Ensaio geral
No Marco Zero, às 18h, Naná Vasconcelos comanda os acertos para a abertura do carnaval, com Fafá de Belém.

QUARTA

Filme e maestros
No Paço do Frevo, às 14h, exibição do filme Sete corações. Duas horas mais tarde, roda de maestros com Clóvis Pereira, Duda, Ademir Araújo, Edson Rodrigues, Guedes Peixoto e Spok. Às 20h, na Praça do Arsenal, Banda Suprema Corte, Ska Maria Pastora, Orquestra Mocambos e passistas fazem ensaio com o Orquestrão.

Ensaio geral
Às 18h, Naná Vasconcelos, Fafá de Belém e batuqueiros ensaiam.

QUINTA

Arrastão do frevo
Os blocos Siri na Lata e Eu Acho é Pouco vão do Paço do Frevo ao Marco Zero, a partir das 17h.

Abertura do carnaval de Olinda
A partir das 19h, no Fortim do Queijo, Bonsucesso Samba Clube, Alceu Valença, Maracatu Nação Pernambuco, Claudionor Germano e o filho Nonô abrem o carnaval olindense.

SEXTA

Aulão de frevo
Às 10h e às 11h, ocorre aulão de frevo Vamos cair no paço, no Paço do Frevo, com ingressos a R$ 6 e R$ 3 (meia). Às 12h, Marcos FM e a Orquestra Quebramar organizam a Hora do Frevo, gratuita, no Evoé Frevo Café.

Abertura do carnaval do Recife
Às 16h, Naná Vasconcelos, Fafá de Belém e batuqueiros dão início à folia oficial do Recife. Às 22h, Maestro Spok e 22 convidados entram em cena.

O frevo, musicalmente, está entre os mais ricos. Tem muita semelhança com o jazz e não está ligado somente à cultura, mas a todo o arcabouço musical pernambucano. Frevos da década de 1930 continuam atuais, são antológicos. Às vezes, percebemos somente o valor cultural, mas a estética musical do frevo também é muito rica. Há possibilidade de improviso, assim como no jazz”.

>> DEPOIMENTOS

Maestro Marcelino Monte
A principal característica do frevo é que ele é a essência do Recife, de Pernambuco. Uma combinação harmoniosa das polcas, marchas e dos ritmos efervescentes. O frevo, para mim, ele tem forte participação na minha formação. Quando pequeno, eu improvisava ao piano os frevos que ouvia na rua. Temos que preservá-lo. Tudo o que pudermos fazer por esse gênero ainda é pouco”.

Maestro Marlos Nobre

Frevo é importante porque é o sangue da música pernambucana, genuinamente pernambucano. É um ritmo imortal, porque, mesmo com a partida dos compositores antigos, sempre surgem nomes novos. Nosso carnaval não existe sem frevo. Sou compositor de frevos de bloco e as diferentes vertentes do ritmo só demonstram sua riqueza”.

Maestro Arimatéia

É necessário um trabalho de pesquisa, manutenção e interação. Fazemos releituras sobre peças tradicionais para aproximar o frevo do público. Esse é um ritmo muito aberto a se comunicar com outras linguagens. Já o apresentei no leste europeu, em Cuba, nos Estados Unidos e em vários lugares do mundo. O frevo é um conjunto de diversidades que tem o poder de agregar. É reconhecido e aceito em toda parte”.

Maestro Forró

É necessário um trabalho de pesquisa, manutenção e interação. Fazemos releituras sobre peças tradicionais para aproximar o frevo do público. Esse é um ritmo muito aberto a se comunicar com outras linguagens. Já o apresentei no leste europeu, em Cuba, nos Estados Unidos e em vários lugares do mundo. O frevo é um conjunto de diversidades que tem o poder de agregar. É reconhecido e aceito em toda parte.

Diário de Pernambuco

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