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Numa máquina do tempo, Silvério Pessoa lança ‘Cabeça Feita”

“Não tem uma vírgula que tiraria do primeiro papo que tive com você”, garante o músico pernambucano Silvério Pessoa à reportagem do JORNAL DA PARAÍBA, relembrando a entrevista realizada em setembro passado, entre um intervalo no estúdio nas gravações de Cabeça Feita (Casa de Farinha/Compesa, R$ 24,90), álbum que está sendo lançado esta semana com músicas de Jackson do Pandeiro (1919-1982).

Relembrando a conversa publicada no ano passado, o disco foi gravado a “pau, corda e aço” com todos os “erres” pertencentes ao suingue sincopado do paraibano de Alagoa Grande. A intenção é dar um novo significado ao gênero “a partir de uma aproximação mais orgânica possível da obra de Jackson”.

Todas as 15 faixas do álbum foram gravadas em bloco, ao vivo, com toda a engenharia de simulação analógica dos anos 1960, época em que o ‘Rei do Ritmo’ gravara as composições. Por isso, nada de teclados, guitarras ou baterias. Dentro do estúdio Carranca, no Recife, os instrumentos eram a zabumba, as percussões, a viola de dez cordas e o acordeom.

“Com todo esse discurso nos dias de hoje usado de releituras e modernização, vou pela contramão disso tudo, aproximando-me ao máximo da atmosfera da música dele”, justifica o artista.

No repertório do CD produzido pelo próprio Silvério ao lado de Renato Bandeira (da Spok Frevo Orquestra), clássicos como ‘Forró em Limoeiro’, ‘1 x 1’, ‘Cabo Tenório’, ‘Casaca de couro’, ‘Quadro negro’, ‘Mané Galdino’ e ‘Na base da chinela’, dentre outras. Sem desprezar o módulo do samba, representado no pot-pourri formado por ‘Secretária do Diabo’, ‘Vou sambalançar’ e ‘Samba do ziriguidum’. Assim também como evidenciar o xote ‘jacksoniano’ presente em outro pot-pourri: ‘Vou de tutano’, ‘Xote de Copacabana’, ‘Xarope de amendoim’ e ‘Cremilda’.

“O que fiz foi mostrar um panorama da genialidade do Jackson, cantando canções como se fossem mil canções”, explica. “A seleção são de canções que tenho o prazer de cantar, que faz parte do meu vocabulário”.

No compasso da música, a voz de Silvério Pessoa também é um personagem importante nesta homenagem, sempre respeitando o jeito de cantar do ‘Rei do Ritmo’, ligeiro e bem pronunciado, uma escola natural de aprendizado. “Não é um cover. É difícil ‘retonalizar’ e modular as canções. Algumas eu desacelerei de propósito para explorar o lado lírico das canções de Jackson”, revela. “Há também um pedaço de Silvério Pessoa ali com certeza, algo bem carnal”.

RITMO UNIVERSAL

Quando o pernambucano diz que Jackson está no seu DNA, a referência vai além da banda Cascabulho, duas décadas atrás, cujo primeiro disco é dedicado ao paraibano.

“Minha grande formação foi com o rádio de pilha no sítio, quando eu era garoto”, recorda Pessoa. “Tinha o impacto de ouvir um timbre ou um sacolejo diferentes. Tudo isso vem da minha memória auditiva. Canto o que eu sou”.

Além do zelo fonográfico, Silvério Pessoa frisa que também teve cuidado com o designer do Cabeça Feita, produzido pelo próprio pernambucano.
“Não projetei a estética óbvia de um disco de forró – aquele que mostra sanfona, gibão, bandeirinhas, balão, fogueira de São João… Eu me aproximei da estética sofisticada do jazz e do blues, sendo menos caricato para se tornar mais universal”.
Cabeça Feita já se encontra na Passadisco (passadisco.com.br), bem como em formato digital no iTunes. Algumas faixas também já estão disponíveis para audição na fanpage do artista (facebook.com/silveriopessoa) e via Soundcloud (soundcloud.com/spessoa).

Confira o repertório completo do álbum do artista pernambucano:

1 – ‘Cabeça feita’ (Sebastião Batista da Silva e Jackson do Pandeiro, 1981)
2 – ‘Rosa’ (Ruy de Moraes Silva, 1956)/ ‘Cajueiro’ (Raimundo Baima e Jackson do Pandeiro, 1958) / ‘Forró em Limoeiro’ (Edgar Ferreira, 1953) / ‘Cabo Tenório’ (Rosil Cavalcanti, 1957) / ‘Na base da chinela’ (Rosil Cavalcanti e Jackson do Pandeiro, 1962)
3 – ‘Coco social’ (Rosil Cavalcanti, 1956)
4 – ‘1 x 1’ (Edgar Ferreira, 1954)
5 – ‘A ordem é samba’ (Jackson do Pandeiro e Severino Ramos, 1966)
6 – ‘Secretária do Diabo’ (Oswaldo Oliveira e Reinaldo Costa, 1966) / ‘Vou sambalançar’ (Antônio Barros e Jackson do Pandeiro, 1966) / ‘Samba do ziriguidum’ (Luis Bittencourt e Jadir de Castro, 1962)
7 – ‘Penerô gavião’ (Jackson do Pandeiro e Odilon Vargas, 1959)
08 – ‘Mãe Maria’ (Joca de Castro e Antônio Gonzaga, 1967)
9 – ‘Vou de tutano’ (Rui Moraes e Silva, 1960) / ‘Xote de Copabana’ (José Cavalcante e José Gomes Filho, 1973) / ‘Xarope de amendoim’ (Paulo Patrício e Severino Ramos, 1973) / ‘Cremilda’ (Edgar Ferreira, 1955)
10 – ‘Quadro negro’ (Rosil Cavalcanti e Jackson do Pandeiro, 1959)
11 – ‘Mané Gardino’ (Ari Monteiro e Elias Soares, 1961)
12 – ‘Coração bateu’ (Ivo Marins e Jackson do Pandeiro, 1974)
13 – ‘Balançaram a roseira’ (Jackson do Pandeiro, Alventino Cavalcanti e Uzias Silva, 1963)
14 – ‘Casaca de couro’ (Rui Moraes e Silva, 1960)
15 – ‘Boa noite’ (Tito Neto, Jackson do Pandeiro e Alventino Cavalcanti, 1958)

Jornal da Paraíba

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