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A rotina de ofícios inusitados guarda inúmeras peculiaridades

Em festas, eventos e reuniões familiares, o paraibano Josiflávio Dantas, de 27 anos, costuma ser o centro das atenções. E o motivo para tanta comoção não é sua roupa, aparência ou comportamento. A razão para que ele atraia tantos olhares durante conversas descompromissadas é sua profissão, vista por alguns como assustadora e fora do normal. É que o rapaz atua como tanatopraxista e diz gostar bastante do trabalho.

“Basicamente, o que um tanatopraxista faz é dar às famílias a tranquilidade de poder realizar o velório de um ente querido”, explicou ele sobre a função que exerce há mais de um ano. “Com nosso serviço, é garantido que o corpo não vai inchar nem vai ter aquele aspecto de morto. Temos uma técnica de conservação, para que o cadáver não apodreça e não tenha mau cheiro, e fazemos maquiagem para dar a impressão de que o falecido está vivo e bem”, completou.

Josiflávio, conhecido também por Flávio, é funcionário do Grupo Vila, em João Pessoa, e chega a preparar até trinta corpos por mês – isso em plantões de três dias por semana. De acordo com ele, o trabalho, cujo salário gira em torno de R$ 1,5 mil, com benefícios, é minucioso e demanda bastante prática, envolvendo cerca de 100 materiais e uma mesa cirúrgica completa. “A primeira coisa que fazemos quando um cadáver chega é higienizá-lo com produtos químicos, até para a nossa segurança mesmo”, ressaltou o tanatopraxista.

“Depois tiramos todo o sangue, colocamos outros produtos, damos um banho e, quando os parentes mandam roupa, vestimos a pessoa. Se eles não enviam, o que é raro, já que aqui no Nordeste a família costuma querer que ele seja enterrado com as próprias roupas, usamos uma vestimenta padrão, uma bata azul”, acrescentou, sublinhando que a última etapa do trabalho é colocar o corpo na urna, maquiar e ornamentar com flores.

Sobre as sensações que o ofício traz, Josiflávio comenta que, para ele, já se tornou algo natural lidar com a morte e que não sente medo. Apesar disso, o rapaz faz questão de confessar que no início chegou a estranhar o ambiente e a rotina, uma vez que não estava habituado a circular pelos corredores da empresa nem a realizar os procedimentos.

“Tudo o que é desconhecido traz um certo receio”, salientou, complementando que precisou passar por um curso de capacitação oferecido pela própria companhia, visto que antes de ingressar na carreira, ele trabalhava no mesmo lugar, porém como jardineiro e motorista.

 

Gostar do que faz é essencial

Como em qualquer outra profissão, ter afinidade com o ofício é fundamental para prestar bem o serviço e ter satisfação (Foto: Rizemberg Felipe)

Levar cães para passear. A necessidade de fazer a atividade que estreita laços entre donos e animais e representa uma oportunidade de se exercitar às vezes se torna uma dor de cabeça para quem não tem tempo suficiente. Foi pensando nisso que Abenir Francisco Alves, de 31 anos, resolveu investir em uma carreira pouco conhecida no Brasil, sobretudo na Paraíba: a de dog walker.

A profissão consiste em passear diariamente com cachorros por cerca de uma hora, o que traz inúmeros benefícios para o bicho, como a diminuição do estresse e a maior sociabilidade dele. De acordo com Abenir, o início de sua trajetória profissional aconteceu após ter recebido uma proposta de um amigo, um psicólogo canino, que sugeriu que ele oferecesse o serviço a alguns de seus clientes.

“Comecei em um condomínio do Cabo Branco. Lá, eu dava banho e cuidava de vez em quando do cachorro de uma mulher. Foi aí que tive a oportunidade de perguntar se ela não queria que eu passeasse com o cão dela. Depois, outra pessoa mostrou interesse e o negócio cresceu com a propaganda boca a boca”, disse o dog walker, que costuma cobrar entre R$ 250,00 e R$ 400,00 pelo serviço.

Para quem acha que a carreira é fácil, Abenir expõe que é necessário ter conhecimentos específicos para saber lidar com os diferentes temperamentos dos cães e ser disciplinado. “Acordo de segunda a sexta às 4h20. Às 5h já estou no meio da rua para começar minha jornada. Vou aos Bancários, onde pego três cachorros – dois viralatas e uma akita – e caminho com eles. De lá, vou para Tambaú pegar um doberman e assim por diante”, contou o rapaz, que tem mais clientes durante a noite e só termina os passeios por volta das 22h.

Embora o trabalho pareça puxado e sacrificante, Abenir afirma reconhecer o lado positivo da profissão. “Minha agenda é bastante cheia, mas gosto muito do que faço. As pessoas que sabem me admiram muito, me dão parabéns porque veem que trabalho com algo que gosto e que faz bem aos bichos. É gratificante”, admitiu, lembrando das mudanças positivas que já viu entre os cães de pessoas que o contrataram.

“Alguns cães eram agressivos e ficaram mansos, tranquilos. Outros apresentavam sinais de depressão ou obesidade e melhoraram. Teve uma vez em que o cachorro estava adoentado e, durante a caminhada, desmaiou – era a Doença do Carrapato. Fui eu que alertei o dono, até porque na maioria das vezes eles não percebem que o bicho está doente. E eu digo mesmo: ele está com problema na perna, no olho, na respiração”, realçou.

Jornal da Paraíba

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