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Autor de ‘Sebastiana’, Rosil Cavalcanti morreu há 50 anos, em Campina Grande

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Há exatos 50 anos, partia Rosil Cavalcanti, um dos nomes mais significativos do forró, um dos compositores que ajudaram a construir o alicerce musical do gênero.

Sua contribuição é inestimável. É dele a autoria de clássicos como “Sebastiana”, “Aquarela nordestina”, “Coco do Norte”, “A festa do milho” e “Meu cariri” – esta última uma parceria controversa com a acordeonista Dilú Melo.

Antes mesmo de ter suas músicas gravadas por grandes nomes da música, sua contribuição para a popularização do forró começa com a profissão de radialista. “A importância de Rosil Cavalcanti na história do forró é maior do que a que lhe é dada usualmente. Como radialista, foi grande divulgador do gênero musical e teve livre trânsito entre as grandes estrelas da música nordestina. Como compositor, basta dizer que os dois intérpretes mais frequentes de suas criações foram Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga”, declara Rosualdo Rodrigues, um dos autores do livro O Fole Roncou, uma espécie de “raio-x” do forró.

Rosil nasceu em 1915 no município de Macaparana, em Pernambuco, mas passou momentos da infância, adolescência e início da vida adulta em Recife (PE), Aracaju (SE) e João Pessoa. Em 1943, parte para Campina Grande, um período de cinco anos antes de retornar à Capital, mas que foram cruciais em sua carreira. Foi na cidade paraibana que ele morreu, há 50 anos.

Criatividade e versatilidade

Na Rainha da Borborema, ele começou a fazer conexões com a cena musical da música nordestina e ganhou popularidade como radialista, apresentando programas sob o codinome Zé Lagoa. No auditório da Rádio Borborema, fazia transmissões ao vivo com concursos diversos, inclusive para sanfoneiros.

Durante as pesquisas para escrever a biografia Jackson do Pandeiro, O Rei do Ritmo, o pesquisador e jornalista Fernando Moura abordou também o histórico de Rosil, jpa que ele e Jackson inclusive formaram a dupla Café com Leite.

“Ele era um cara super talentoso e impressionava com suas habilidades. Em seu trabalho como radialista, era bastante criativo. Ele criava vozes e as pessoas duvidavam que era ele quem interpretava todos aqueles personagens. Ouvi apenas alguns trechos que recuperaram da época, mas realmente era impressionante”, relata o pesquisador. Sua morte, em 1968, causou uma comoção pouco vista para a época. É de sua autoria “Tropeiros da Borborema”, considerado um hino extra-oficial da cidade.

Obra versátil

Em 1953, Jackson do Pandeiro gravou “Sebastiana”, que se tornou a música mais conhecida de Rosil, especialmente após a regravação de Gal Costa e Gilberto Gil, em LP da cantora baiana lançado em 1969. No entanto, sua obra vai além. Ao todo, são 82 músicas gravadas por diversos compositores.

“O que chama a atenção é a versatilidade com que ele passeava por diferentes ritmos dentro do gênero forró, indo da toada ao rojão e ao baião, da marotice de ‘Forró de Zé Lagoa’, gravada por Genival Lacerda em início de carreira, ao lirismo de ‘Aquarela Nordestina’, para mim sua composição mais bela”, pontua Rosualdo Rodrigues.

Ao falar de versatilidade, quem lembra de um aspecto pouco comum é Fernando Moura. “Rosil tinha um trabalho de composição instrumental. Basta ver os créditos das principais músicas para fole de oito baixos, uma parcela considerável tinha seu nome envolvido”, destaca o pesquisador.

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Redação Clip PB
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