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Condomínios populares de JP viram ‘território de violência’

Após morar mais de 20 anos na comunidade ‘Gadanho’, no bairro do Padre Zé, em João Pessoa, a dona de casa Luciene Ribeiro (nome fictício) foi contemplada, há um ano e meio, com um dos apartamentos do bloco B, no condomínio popular Vale das Palmeiras 2, localizado no bairro do Cristo. Além das precárias condições da antiga casa, a violência era uma das preocupações dela e o que a fez procurar outro lar. Mas, no novo endereço o antigo problema se repete e é comum em condomínios de pelo menos outros seis bairros da capital.

Para se ter uma ideia da situação, somente no bairro Colinas do Sul dois conjuntos são espaços onde criminosos promovem o tráfico de drogas e outros delitos, como homicídios. “No condomínio Irmã Dulce nós temos esse problema e no Gervásio Maia não é diferente. A gente faz operações, prende, mas com a lei branda eles (criminosos) saem da prisão e voltam a cometer os crimes, porque não têm nada a perder e a população dos conjuntos convive com o terror”, disse o responsável pelo Comando de Policiamento da Região Metropolitana, tenente­coronel Lívio
Delgado.
Outro local onde há disputa pelo tráfico, segundo o policial, é o Residencial Jardim Veneza (o ‘Dilmão’), no Bairro das Indústrias. Além dele, o policial aponta conjuntos populares existentes nos bairros de Jaguaribe, Ilha do Bispo, Cristo e Valentina de Figueiredo são alvos dos bandidos.
No Bloco B­13, do Vale das Palmeiras 2, onde está o apartamento de dona Luciene, os sinais da falta de segurança são visíveis na expressão dos moradores, nos muros e nas grades instaladas na janela estreita da barraca mantida por ela, no própria casa, para ganhar uma renda extra. No dia 27 de fevereiro, através da operação ‘Esbrulho’, realizada no local prendeu um grupo de traficantes que expulsou mais de 30 famílias que viviam no conjunto.
Investigações da Polícia Civil (PC) apontaram que após a desapropriação, as casas eram revendidas ilegalmente pelos traficantes que cobravam em torno de R$ 2 mil a 5 mil pelos imóveis.
Ao ser questionada pela reportagem sobre a atuação da Polícia Militar e da PC no condomínio, Luciene responde tímida que “vê a polícia passar de vez em quando”. Mas a expressão revelada por ela é de medo e apreensão por ‘falar demais’ e revela que, “de certa maneira, o local é considerado tranquilo”.
Enquanto a dona de casa fala em tranquilidade, jovens surgem pilotando motocicletas e fazendo símbolos referente à facção ‘Okaida’, pichações com símbolos que mencionam o mesmo grupo estão nos muros de alguns blocos no Vale das Palmeiras 2.
Morando em um bloco próximo à Luciene Ribeiro, a estudante Kalinny Silva prefere o silêncio ao responder sobre a segurança pública no local. Contudo, confidencia que tem receio ao andar por alguns trechos nos arredores do residencial e evita sair a noite. “Tem muito mato e terreno baldio por aqui, às vezes fica esquisito para andar. Também não gosto de sair de casa a noite porque é um pouco arriscado”, comentou.
Do outro lado da cidade, nos condomínios Índio Piragibe e Maria Salete (o ‘Sassá’), no bairro da Ilha do Bispo, a intimidação dos moradores é a mesma. Moradora deste último conjunto, a aposentada Edith Gomes ainda arrisca sentar na porta de casa no fim da tarde, mas lembra das recomendações da filha para se trancar em casa ao primeiro sinal de perigo. “Estou aqui há três anos e só fico porque não tenho como pagar aluguel ou me mudar para outra casa. É muito perigoso aqui, já atiraram até na minha parede”, lamentou a senhora.
No último dia 7, um homem foi assassinado e uma criança de oito anos foi baleada em um dos blocos do condomínio, que, segundo as pichações nos muros, é comandado pela facção ‘Estados Unidos’. “O pessoal comentou que ele era do outro grupo e estava atrás de umas meninas aqui. Só que vieram os caras dos Estados Unidos para matar ele e atingiram a criança com bala perdida”, disse um morador que não quis se identificar.
O que diz a Polícia Militar
Em relação aos condomínios populares de João Pessoa, através da assessoria a Polícia Militar informou que “o crescimento urbano por si só é um potencial causador do aumento da criminalidade, não sendo privilégio apenas dos conjuntos habitacionais. Nesses locais, a PM busca atuar de forma mais próxima aos moradores para obter informações sobre grupos criminosos, principalmente os ligados ao tráfico de drogas, principal ocorrências constatadas nos conjuntos habitacionais”.
A PM relatou ainda que há dificuldade em conseguir informações em algumas localidades, quando há crimes, devido ao medo dos moradores em comentar o assunto. Contudo, a assessoria adiantou que “nos Quadrantes de Polícia Preventiva (área delimitada de responsabilidade de cada viatura) que abrange conjuntos habitacionais, a PM busca manter um canal direto para que as pessoas possam colaborar”.
Em Campina Grande, o comandante do 2º Batalhão da PM, major Gilberto Felipe, informou que o esquema de segurança nos condomínios populares é feito diariamente pelas equipes do policiamento ordinário e reforço de outros grupos, como o Motopatrulha e Força Tática. Contudo, ele afirmou que durante as abordagens nessas áreas são encontradas drogas e armas.
“Nós realizamos abordagens específicas e isso tem resultado em flagrantes como porte ilegal de arma e drogas. Não é uma problemática regular, mas existe e nós combatemos com o reforço no policiamento”, lembrou o major.
Jornal da Paraíba

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