Dólar sobe a R$ 3,74 e Ibovespa atinge menor nível em quase 10 meses

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Estadão

O dólar teve novo dia de alta, influenciado pelo nervosismo no cenário externo com a escalada da tensão comercial entre Washington e Pequim e incertezas domésticas. A moeda norte-americana terminou o dia em R$ 3,7408 (+0,25%), mesmo com o Banco Central injetando mais US$ 1 bilhão no mercado por meio de novos contratos de swap. Para esta semana, a autoridade monetária prometeu colocar US$ 10 bilhões no câmbio. As expectativas do mercado estão voltadas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa nesta terça-feira, 19, e tem a maioria dos economistas prevendo manutenção dos juros.

O dólar operou em alta desde a parte da manhã e chegou a desacelerar os ganhos após o anúncio de primeiro (e único) leilão de swap novo do dia, de US$ 1 bilhão. O dia, porém, foi de volume menor de negócios. No mercado futuro, foram movimentados US$ 13 bilhões até as 17h35, a metade de outras sessões. No mercado à vista, foram US$ 652 milhões, também abaixo da média da semana passada (US$ 1,3 bilhão). Durante o dia, na máxima, o dólar chegou a bater em US$ 3,76 e na mínima a US$ 3,73.

Para o diretor da mesa de clientes do banco Standard Chartered, Rafael Biral, a expectativa pela reunião do Copom contribui para reduzir o ritmo de negócios. Apesar da avaliação de que a Selic será mantida na reunião, o interesse é ver como virá o comunicado final da reunião. Um dos principais fatores que contribuíram para atrair capital externo no Brasil nos últimos anos foi o juro alto, que agora está em mínimas históricas, reduzindo o diferencial das taxas entre a economia brasileira e outros mercados e a atratividade das aplicações aqui.

IBOVESPA

O Índice Bovespa teve nesta segunda-feira, 18, sua quarta queda consecutiva, com a qual perdeu o piso psicológico dos 70 mil e voltou à sua menor pontuação em quase dez meses. O indicador terminou o dia com queda de 1,33%, aos 69.814,73 pontos, o mais baixo desde 20 de agosto do ano passado (68.634 pontos). Os negócios somaram R$ 14,1 bilhões, incluindo os R$ 5,5 bilhões movimentados no exercício de opções sobre ações.

A desvalorização foi mais uma vez embalada pela aversão ao risco no mercado externo e a falta de perspectivas no front doméstico, em meio à constante saída de recursos externos da Bolsa. A proximidade da reunião de política monetária do Banco Central e a possibilidade – ainda que baixa – de libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foram fatores de cautela no mercado de ações.

Pela manhã, durante o período de exercício de opções sobre ações, o Ibovespa chegou à mínima de 69.360 pontos (-1,98%). Lá fora, os investidores mantiveram o tom de aversão ao risco, com a renovação das tensões comerciais entre Estados Unidos e China. As bolsas de Nova York operaram instáveis. Entre as principais bolsas emergentes, o dia também foi de perdas, com destaque para o índice Merval, da Argentina, que caiu mais de 8%.

Em quatro quedas consecutivas, o Ibovespa teve desvalorização de 4,04%, levando o acumulado de junho para -9,04%. Essa perda está bastante relacionada à saída de recursos externos da Bolsa. Somente na última quinta-feira, 14, saíram R$ 649,7 milhões do segmento Bovespa da B3, levando a saída acumulada de junho para R$ 4,7 bilhões.

“O Ibovespa estava se sustentando acima dos 70 mil pontos e hoje perdeu esse patamar importante. Creio que ele pode buscar os 68 mil pontos, uma vez que não há muito o que esperar nos próximos dias”, disse Lucas Claro, analista da Ativa Investimentos. Claro afirma, no entanto, que as atenções se concentram bastante na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que na quarta-feira decide sobre a taxa Selic.

Na análise por ações, destaque para a queda em bloco das ações do setor financeiro, responsável por mais de 25% da carteira do Ibovespa. Já os papéis da Petrobras terminaram o dia nas mínimas, em quedas de 3,31% (ON) e 3,14% (PN). Na próxima quinta-feira, a maior ação trabalhista da história da Petrobras será julgada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). Em caso de derrota, a empresa terá de desembolsar mais de R$ 15 bilhões e a folha de pagamento aumentará em até R$ 2 bilhões por ano.

Redação Clip PB
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