© Foto: Reprodução/GoogleMaps

Sem filantropia, Hospital da FAP seria caos na saúde de Campina

Correio da Paraíba

Os pacientes oncológicos de Campina Grande e outros 130 municípios ainda desfrutam de uma herança holandesa deixada em terras campinenses. O Hospital da Fundação Assistencial da Paraíba (FAP) foi inaugurado na década de 60, através de uma missão redentorista que envolveu o então médico holandês Cornelius Ruiter. Recursos vindos dos governos da Holanda, Alemanha e outros pequenos países europeus foram os responsáveis por construir o prédio principal, onde hoje funciona a Ala Oncológica Sandra Maria Pereira de Oliveira.

A FAP faz parte de um setor filantrópico que praticamente sustenta o Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil. Segundo a Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB), da qual a FAP faz parte, o setor é responsável por mais de 50% dos serviços prestados pelo SUS, ou seja, perder esse “braço” do sistema único seria um caos ampliado na saúde pública.

Por ano são realizados mais de 70 mil procedimentos na FAP, a maioria deles no setor oncológico, abraçado pela FAP no início dos anos 2000. Todos os atendimentos via SUS são encaminhados e monitorados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a representante do Ministério da Saúde na cidade, o que faz do hospital um “prestador do SUS”.

Seu Damião Gomes da Silva, 79 anos, da cidade de Areia no Brejo estado, foi um dos mais recentes pacientes operados. Com um câncer de próstata que foi ignorado por mais de três médicos antes da descoberta no ano passado, após o resultado alto do PSA e a biópsia, seu Damião logo foi encaminhado para a FAP. Na próxima quarta-feira (9), ele comemora três meses de cirurgia, está feliz da vida e até brinca após a consulta de acompanhamento.

“Eu estou bem. Só não estou bem de uma vez né? São 79 anos. Mas para a vista do que eu estava, estou seguindo com minhas melhoras. Eu não faço besteira não, minha filha. Só se fosse o milagre de Deus, mas para as besteiras já acabou-se”, e ri.

A filha dele, que o acompanha nas consultas, às vezes mensais, às vezes quinzenais, afirma que o hospital faz parte da rotina de recuperação do pai. “Fomos muito bem atendidos aqui. O doutor Francisco é sempre muito atencioso e meu pai está se recuperando bem após a cirurgia. Graças a Deus tivemos acesso a esse serviço”, relata.

Porta de entrada

No ano passado, a FAP recebeu R$ 32 milhões em recursos, mais de 70% foram referentes a procedimentos pagos pelo SUS. O hospital é o único serviço no estado que possui duas máquinas de radioterapia. As formas de entrada pelo serviço público ainda são pelo atendimento ambulatorial. “A porta de entrada do serviço de oncologia é o ambulatório. Existem quatro médicos clínicos na oncologia. Nessa triagem, é identificada o tipo e a natureza, e a partir daí o paciente para uma indicação ou de exames complementares, se ele não vier com eles, ou já de tratamento, que pode ser cirurgia/rádio/quimio, ou somente cirurgia, ou somente rádio, ou somente quimio. Cada caso é um caso”, explica o gerente administrativo, Paulo Marcelo Meira.

“Carregamos o SUS nas costas”

A maior dificuldade ainda está na tabela SUS, defasada sem qualquer atualização há mais de 10 anos. “A tabela é uma só que funciona há 10 anos, os mesmos valores, sem reajuste. Recebemos por valores defasados há uma década e pagamos tanto a mão de obra quanto os insumos do hospital com preços atualizados. Isso gera um desequilíbrio contratual absurdo, que se multiplica pelo país, pelas Santas Casas e hospitais como a FAP e a dívida do setor da filantropia é de R$ 22 bilhões por conta dessa política de não reajuste”, afirma o presidente da Fundação, Helder Medeiros.

“Aqui no estado da Paraíba somos o único serviço que possui duas máquinas de radioterapia, dentro de uma programa de expansão de radioterapia do SUS, que contemplou esses hospitais, especialmente os filantrópicos que atendem SUS. Era essa a condição para que os hospitais fossem contemplados. Houve ajuda dos parlamentares e da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) que se empenhou em justificar. Em 2016 atingimos a capacidade total da máquina. Com a chegada da segunda maquina houve a diminuição da fila”.

“Para se ter uma ideia, uma consulta ambulatorial em um ambiente com ar-condicionado, médico, atendente, papel, impressora, gaze, esparadrapo, tudo que é o “básico” custa R$ 11,80. Um parto SUS normal custa entre R$ 250. Se esse parto for cesariana, custa R$ 550, que aí tem o complicador do cirurgião, do anestesista, o material. Esse setor de filantropia responde por 55% do atendimento SUS. Nós carregamos o SUS nas costas. Não se imagina uma Campina Grande sem uma FAP”, contrapõe, Paulo Marcelo Meira.

RAIO-X DA FAP

Acesso:

Convênios de saúde suplementar

Particular

SUS – Precisa estar cadastrado no sistema da SMS

FAP em números:

117 mil m²

204 leitos, sendo 10 UTI Neonatal

484 funcionários

Cerca de 10 voluntários por temporada

70 médicos

200 partos por mês, sendo 50% deles cesarianas

165 pacientes de hemodiálise

750 refeições são servidas por dia

650 quilos de roupa hospitalar são lavadas por dia

Contas de água, energia e gases medicinais somam R$100 mil ao mês.

Como ajudar:

Cerca de 7% da arrecadação do hospital da FAP é através dos doadores mensais. As contribuições podem ser feitas de várias formas.

  • Boleto emitido na hora pelo site: http://www.hospitaldafap.org.br/doe/
  • Pelo atendimento telemarketing no 2102-0390 é possível agendar o pagamento através de um mensageiro que busca a arrecadação na casa do doador.
  • Incluir a doação na conta de energia, através do 0800-083-0196 (para Energisa Paraíba) ou 0800-023-0196 (Energisa Borborema).
  • Ou doar através de depósito em Conta Corrente: BANCO DO BRASIL/AGÊNCIA 0063-9/Conta 13315-9.
 

Sobre Redação Clip PB

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