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Violência contra a mulher já gera 300 registros policiais este ano

No domingo (8) será comemorado o Dia Internacional da Mulher. Apesar das diversas conquistas celebradas na data, o ‘sexo frágil’ ainda enfrenta sérios problemas com relação a violência. Segundo informações da delegada adjunta da Delegacia da Mulher de João Pessoa, Desirée Cristina, apenas este ano, na capital, já foram instaurados cerca de 300 processos relacionados à violência contra a mulher. A maioria dos casos envolve crimes de ameaça, injúria e lesão corporal leve.

Diferente do que normalmente se pensa, a violência contra a mulher não se limita mais apenas às donas de casa que dependem financeiramente dos seus companheiros. A realidade hoje é diferente e as mulheres estão no mercado de trabalho disputando vagas com os homens, mas isso não impede que elas sofram agressões no núcleo familiar. A delegada adjunta da Delegacia da Mulher de João Pessoa afirmou que, entre os atendimentos realizados por ela, é cada vez mais comum receber profissionais liberais e mulheres que percebem boa remuneração.

Justamente por conta da remuneração melhor, estas mulheres que ganham acima de três salários mínimos chegam à Delegacia da Mulher para registrar casos de violência contra elas e ficam impedidas de receber auxílio jurídico gratuito por parte da defensoria pública, que atendem as vítimas em uma sala da delegacia. Elas tem que procurar advogados particulares para entrar com ações de divórcio litigioso, guarda, entre outras demandas comuns a quem sofre abusos domésticos.

Sobre os 300 processos instaurados só neste ano em João Pessoa, Cristina Lima afirmou que os números não são surpreendentes, mas são alarmantes. “Não nos surpreendem esses dados já que o machismo patriarcal é o que prevalece na nossa sociedade. Eu acho que não deixa de ser alarmante. Se em dois meses temos 300 processos, no final do ano podemos chegar a 1800 casos se for mantida a média, isso sem contar os casos em que as mulheres não fazem a denúncia”, afirmou a coordenadora executiva do Cunhã Coletivo Feminista.

A coordenadora executiva da ONG Cunhã Coletivo Feminista, Cristina Lima, acredita que o fato da violência permanecer mesmo com a independência financeira da mulher é reflexo de uma cultura machista. “A violência contra a mulher é um fenômeno cultural que vem do machismo. É o reflexo de uma sociedade em que o poder é demarcado pelo gênero”, disse.

Central de Atendimento à Mulher

Em 2014, a Central de Atendimento à Mulher-Ligue 180 realizou 485.105 atendimentos em todo o território nacional, uma média de 40.425 atendimentos ao mês e 1.348 ao dia, segundo balanço divulgado nesta sexta-feira (6) pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Neste mesmo balanço, a Paraíba aparece como o 19º Estado em número de atendimentos pelo serviço, com 818 registros.

Comparado à Pernambuco, que contabilizou 1.789 registros, a Paraíba apresenta menos da metade das ligações para a Central de Atendimento à Mulher. Mas isso não necessariamente representa um dado positivo, uma vez que segundo a delegada Desirée Cristina, a maioria das ocorrências de violência contra a mulher são denunciadas presencialmente pelas vítimas.

Dos 485.105 atendimentos realizados em 2014, 32,21% corresponderam à prestação de informações, 15,98% se referiram a encaminhamentos para serviços especializados de atendimento à mulher, 40,26% corresponderam a encaminhamentos para outros serviços de teleatendimento (telefonia), tais como: 190 – Policia Militar, 197 – Polícia Civil, Disque 100 – Secretaria de Direitos Humanos e 11% (52.957) se referiram a relatos de violência contra a mulher.

Do total de 52.957 denúncias de violência contra a mulher, 27.369 corresponderam a denúncias de violência física (51,68%), 16.846 de violência psicológica (31,81%), 5.126 de violência moral (9,68%), 1.028 de violência patrimonial (1,94%), 1.517 de violência sexual (2,86%), 931 de cárcere privado (1,76%) e 140 envolvendo tráfico (0,26%).Os atendimentos revelaram que 80% das vítimas possuem filhos, 64,35% desses filhos presenciaram a violência e 18,74% também sofreram violência.

Com relação ao perfil do usuário do Ligue 180, é importante registrar que o serviço é majoritariamente procurado pelo sexo feminino (85,80%). Em sua grande maioria (80%), as mulheres relatam violências praticadas por homens (companheiros, cônjuges, namorados, amantes) com os quais mantêm ou mantiveram algum vínculo afetivo (82,53%). As denúncias restantes estão relacionadas a relações familiares (11,20%), relações externas (5,93%) e homoafetivas (0,34%).

Ampliação

O Ligue 180 a partir de hoje está sendo ampliado para mais 13 países: França, Estados Unidos, Inglaterra, Noruega, Guiana Francesa, Argentina, Uruguai, Paraguai, Holanda, Suíça, Venezuela, Bélgica e Luxemburgo. A Central já atende Espanha, Itália e Portugal.

Jornal da Paraíba

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